sábado, 8 de novembro de 2008

Searas de Trigo

A música tira-me de mim próprio
Rouba-me de mim
Por isso caminho sobre o solo
E não o sinto, sentindo-me apenas como ele (solo…)

Não há pressa no meu corpo
Não há voz no meu olhar
Se não olho, falo pouco
Se não falo, mais vagar

Vagar, devagar
Só com pressa no limite
Qual o mérito em imitar
Se já não há quem critique?

Quem vier criticar
Já criticou quem criou
Quem se limitou a imitar
Nada de novo gerou

A ideia foi reciclada
Polida, adaptada
Expandida, articulada
Mas no fundo… Não é nada

Nada se não imitação…
Tudo se não imitação…
Algo que não imitação?
Se não, o que é então?


É ideia, pensamento
Para uns considerada talento
Para outros, mau reflexo do espelho
Para aqueles, sopro do tempo…

Tic tac do vento
Despedida sem vontade
Olhos de trigo em seara
Que eu quero ao pé de mim! (Mas que ao invés se afastam…)

Ao pé de mim do meu lado
Ao pé de mim, ao pé de mim!...
Não adianta exclamar bem alto
A distância não se encurta assim

Por favor volta para mim
Tristeza ter de esperar uma mão e dois dedos por ti
Para te voltar a encontrar
E ter-te aqui, somente aqui

E tratar-te com indiferença
Como se não me afectasses
Como se não me atraísses
Como se não existisses, mas sabendo-te cá

Doces linhas que orientam
Amarga tinta que dentadas dá
Bolinamos no amor, dizes?
Só os meus pensamentos me sustentam

Mais nada, mais nada
Isto e a certeza de algumas coisas
Como se a lógica gerisse o destino
E eu soubesse o Amanhã!


É mentira! Não sei nada
Bom seria se soubesse mais do que sei
Ou não… Talvez… Não sei…
Quanto mais se sabe, mais sabemos que não sabemos nada

Trocadilhos com as palavras
Sarilhos que crio com a caneta
Imitação ou inspiração
Concentração em Pessoa amada

Originalidade impressa
Pelo monge copista
Estou longe ou perto?
Seara(s) de trigo à vista!

Dedicado a Olhos de Âmbar
De 07 a 08 / XI / 2008

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