segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Mudar por Pouco

Da noite para o dia
Como já é habitual
Para quê amar platonicamente
Se isso é irreal?

A conquista, a escrita
Tudo mentiras sem cabimento
Do tamanho de um elefante
Formiga o talento

Microscópio me sinto
Vulgo, medição em picómetros
Hectómetros, decâmetros
Sinto que percorri quilómetros

E nada fiz
Pois muito mais poderia ter feito
Uso 5% do meu cérebro
E isso é falta de respeito

Para com os outros 5
E os 100% que representam os meus
Passo por zero à esquerda
E tenho a inteligência de Deus

Que ele me deu, obviamente
Não me comparo ao Singular
Sou plural, sendo único
Só não sigo o padrão linear

Que tece teias à nossa volta
E nos agarra invisível
Felizmente nasci com imunidade
Infelizmente, imprevisível

Foi a descoberta
De que nem toda a gente a tem
Os que conheço imunes conto por dedos
Dos outros não conto ninguém!

Não conto com eles simplesmente!
Porque nada farão por mim
Então pouco faço por eles
De bom grado, isto é!...

Mudando de assunto
Regresso ao tema que é importante
Não minto mais a mim mesmo
Consciência deste instante

Que surge súbita
E me aponta que não te amo
Sinto-me apenas atraído
Mas ainda assim reconheço o teu encanto

O teu porte felino
A tua expressão de olhar
O andar imperioso
Que deixa a minha mente a divagar

A amizade é garantida
Como a faísca e o gás
De provocarem uma explosão
Absolutamente capaz

Somos parceiros no crime
Pelo menos eu considero-me
Juntos fazemos o team
Que Bonnie and Clyde invejam

E não é preciso crime real
Para fazermos fortuna
Basta estarmos juntos
Para haver ouro e prata que afunda

A amizade triunfa
Sedimenta-se com o tempo a passar
O tic tac nunca pára
E já nem a vontade de mudar!

Dedicado a Olhos de Âmbar
(Hip-Hop)
17 / XI / 2008

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