A descrição de um Universo
Subtileza mascarada
Em verso ou no inverso
Soltas palavras
Ou juntas em agregado
Que explicam o que é sentido
A quem oferece atenção
Complexidade expressa
Simplicidade mental
Angústia patente em tinta
Dor de mortal, imortal
Que fere o corpo erguido
Mas que trespassa e mata a alma viva
Condição do ser nascido
Não sentir felicidade em pleno
Rotinas tortuosas
Repetidas na repetição da memória dos Sentidos
Pressa na escrita
Para não perder a memória dos momentos sorridentes
Choramos o Passado
Existimos no presente
Ansiamos que o Futuro
Seja apenas diferente
Mas o Presente faz-se Passado
E ainda que passando
Nunca mais chega o Futuro
Então vamos desesperando
Esse desespero, vai-se convertendo lentamente
Num esgar profundo de aborrecimento
De tédio insondável
Onde outros se divertem e existem
E assim vegetamos
Em busca de um preenchimento de Vazio
Que aumenta ou diminui
Por vontade alheia à nossa própria
Desgastando pelo caminho
Aqueles que nos são mais queridos
Por ocultarmos o que sentimos no papel
Numa fúria altruísta/egoísta
Que no fundo não é mais
Que estado de incompreensão
“São palavras e apenas isso”
Ou então não…
Dedicado a René
26 / XII / 2008
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