N97 novinho em folha / Há pouco tempo a carregar
E eu a sonhar alto, no sofá / Com as suas funcionalidades
A suar profusamente / Pois estava um calor de rachar
Nisto tocam à porta / E eu dou um pulo valente
Caio do sofá / Da porta dizem: “Está gente?”, levanto-me do chão de repente
Mas subitamente / O telemóvel começa a tocar
O dilema começasse / Na minha mente a formar
Quem quer que seja / Parece estar com urgência na voz
E o fio do carregador não é extenso / Para matar dois coelhos de um só, cajada
O tempo passa / E tenho de decidir
De repente vem-me à mente / Uma maneira de conseguir
Recordo-me com força / Do que dizia o manual
Se o agarrarmos com as duas mãos / Ele absorve calor corporal
E converte-o em energia / Viva a tecnologia!
Apresso-me para agarrar / Este objecto maravilha!
Respondo para a porta: “Já vou!” / Respondem-me: “Está a haver um incêndio!”
Deito as mãos à cabeça / Invade-me a tristeza
“Agora o que faço? / Tenho que me ir embora!”
Todos os objectos à minha volta / Eram grandes demais para levar!
Excepto um e esse / Já se encontrava nas minhas mãos
Quem tudo quer, tudo perde / Contento-me apenas com ele, então
Saio a correr do prédio / Fico cá fora a assistir ao incêndio
O telemóvel ainda toca / Como o fogo, cada vez com mais intensidade
Acordo sufocado / Tudo não passou de um sonho
O telemóvel já não toca / E vou entrando na realidade
Rio-me sozinho / Da situação
Felizmente não passou de um sonho louco / Mas que emoção…
Olho para o meu colo / A revista ainda aberta
N97 na página / Mas o que é isto? Que confusão?!…
Afinal ainda não o tinha comprado / Que loucura só de pensar
Que o querer tanto alguma coisa / Não significa que do céu venha e vá pousar
Nas nossas mãos / Assim posso dizer com clareza
O n97 da Nokia / Fez-me perder a cabeça!
Para um amigo que me pediu uma letra para concorrer a um concurso da Nokia
Algures em 2009
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