quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Bolinar em Âmbar

Quanto tempo falta para Tarde?
Quanto tempo falta para Cedo?
Quanto tempo para o Presente?
Só dedico tempo ao medo!

Pensava que nada temia
Mas isso não se revelou verdade
Agudiza-se o medo de temer
Tremo por este segredo conhecer

Desejava não conhecê-lo
Desejava não o ter
Porque quero encontrar-te
Mas o medo ainda é maior do que o querer!

Ah, quando isto se inverter
Com os olhos ir-te-ei ver
Vou dirigir-te a palavra
Sem medo, só querer

A pulsar-me nas artérias
Eu calmo de fogo que me ascende
E inflama e acende
Brilhando eu pelo escuro

Neste momento sei quem és
Beleza de gosto âmbarino
Traços no rosto fino
Leve marcados, mas expressivos

Sabedoria é o teu nome
Por isso achei que tinha encontrado
A solução para o meu vazio
A companhia/companheira para a dança (da vida)

Se eu sou relógio, tu és pilha
Se eu sou vento, tu és mar
Se eu dou horas é porque existes
Se eu existo é para te animar

Só para te puder dar vida
Para te puderes revolver, mexer, inflamar
Contigo tudo é possível
E aqui permaneço para assistir

Escutar o que me dizes
Observar os teus gestos
Tanta coragem me falta
Por conter em mim os protestos

Triste aquele que o quer ser!
E se afoga na amargura
Triste sou por o fazer
E não me demonstrar à altura

Do desafio patente em sorriso
Em riso descontrolado, aviso
Que me quer dizer, “Por favor
Luta por mim no amor”

Por ti voltei a escrever poesia
Porque contigo sinto-me inteiro
Posso ser quem eu sou
Não me escondo já em máscaras

E a rima
Já não tem razão de estar presente
Versos brancos estão e surgem
E me avassalam com conhecimento renovado

És a prova da impossibilidade
Pois nunca vi olhos assim
Junta-te a mim
E completa (se quiseres) o meu Universo

Diz-me onde errei
Aquilo que fiz de mal
Dá-lhe cor, pois preto, cinzento e branco
Foi só o que utilizei

Dedicado a Olhos de Âmbar
13 / XI / 2008

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