Costuma estar debaixo do chão
E se cavares, cavares
Vais chegar ao Underground
Mas tal como o minério
Não está distribuída equitativamente
Algumas toupeiras a têm
Outras fogem dela diariamente
Mas isso é porque nem todas
Se dedicam de forma decente
Há umas que da superfície
Estão dependentes
Outras esgravatam terra
Até chegar à essência
E com suor atingem
Quatro vertentes de independência
Suar ou não suar
Isso é contigo, em verdade
Tenho preferência em dar o litro
Desde tenra idade
Pois é diferente retirar
Com frequência de mim
De procurar num buraco sem fundo
Aquilo que é necessidade, sim
Sei que sou cego
Quem disse que os olhos eram para ver
Confio em tacto, audição
Paladar e olfacto
Facto é que a mente nem sempre
Faz selecção ou triagem
Aproveitando a deixa cabeça-sociedade
Submete todos à pré-lavagem
Lavagem completa
Força acesso à miragem
Retrocesso é a resposta
Através da rebobinagem
Cassete mental
Nunca deixa de existir
Ceder à limpeza
É não querer coexistir
Nas galerias profundas
Que revestem o subsolo
Como Andrómeda, preso com correntes
A toda e qualquer rocha
De noite durmo, de dia esperto
Mente sempre a funcionar
Há espera sempre da resposta
A pensar se estou perto
Puto de cara e corpo
Mentalidade de um adulto
Imaginação criança
Criador do seu próprio Mundo
Original por ser
Misto entre forçado e acaso
Produtor de melodias de há muito
De ilimitado prazo
Improviso escrito
Letra de uma música
(Hip-Hop)
21 / III / 2008
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