Não sei se vais gostar
Talvez gostes…é poesiaAntes de pertencer ao Underground
Era assim que escrevia
Escrevia, escrevia, escrevia…
A cada novo dia
Expressava aquilo que sentia, no papel
Dizer nunca dizia!
Fosse amor, amizades problemas
Para mim tanto fazia
Uma caneta bastava
Para escrever sobre vários temas
O papel…
Esse quase nunca era essencial
Se não ficasse registado fisicamente
Registava no domínio mental
Mas papel nunca faltou
Por isso não me utilizo da memória
O meu eu como memória
Só existe contado em história
Muito pouco é o que fiz
Que me lembro e não apontei
Considero-me aprendiz
Escola da Vida (é) mestre, sensei
Busco pelo que não sei
Não percebo ou não conheço
Dou tudo o que tenho aos meus Amigos
Pois a amizade não tem preço
E àquela que um dia
Me fizer sair do meu universo
Por eu achar que é mais importante para mim
Acima de qualquer verso
Serei capaz de entregar
O meu corpo e até a minha alma
A minha pouca arte se ela quiser
O meu olhar, a minha calma
Pois sinto-me feliz
Com o pouco que tenho e é mundano
Mas aspiro ao espiritual
E, logo, não sou feliz em pleno
Podem-me fechar numa prisão
Impedir que me expresse com o corpo
A minha alma é de vento
E não pertence a nenhum louco
Aliás, o seu nome é Anemo
A própria definição de vento
É ela que me inspira
E me proporciona talento
Razão pela qual sempre crio
E não paro de criar
Parar é morrer
Morrer é desaparecer
E aparecer noutra forma…
Será assim?… não me lembro!
Sei que vou morrer um dia
Não desespero pois é a norma!
Entramos neste mundo
Sem saber ler, nem escrever
Saímos dele, saudades deixamos
Mulheres e homens chorando
E rindo
Pois não vale a pena perder a esperança
Perdendo-a
Logo a encontramos no rosto de uma criança!
E chegamos rapidamente
A uma conclusão
Não é estar vivo ou morto que importa
Mas aproveitar o tempo que nos dão!
Se não o fizermos
O tempo tornar-se-á volátil
O Tempo não perdoa
Com o seu comportamento irascível
Irritável, incrível
Muito temperamental
Sentimental é o sentimento
Que surge por inspiração real
Ou imaginária
Se queres saber, para mim pouco importa
Imaginação é realidade
Realidade é sonho ou porta
Que te aborda
Se for suficiente, até te faz agir
É em alturas como essas
Que relaxas ou começas a fugir
Se foges…
Chegará o dia em que não o farás mais!
Vais enfrentar o que vier
Os teus feitos serão tidos como imortais!
Como os de outros tais
Que se sagraram neste mundo
Serás pelo anonimato
Os grandes não se conhecem, é facto!
Anónimo sou
Nesta luta diária
Guerreiro sem armas
Pensamento que não estagnou
Prossegue, vai à frente
E deixou-me para trás
Não consigo segui-lo
“Só quando dormires me alcançarás!”
Diz uma voz dentro de mim
Será o meu pensamento?
Imaginação ou realidade…
Dentro de mim, a qualquer momento!
Dedicado a Ana Raquel da Silva Santos aka Rá
17 / XI / 2007
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