sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Frontalidade

Provavelmente não tenho
Fundamentos para escrever isto
Mas sinto uma reacção estranha
De cada vez que te avisto

Foi assim na primeira vez
Que estabeleci contacto
Contigo
Sabes? Fiquei logo enamorado!

Sorrias ao de leve
Sem muitas expressões de rosto
Sorriso resplandecente como a neve
Que deu um certo gosto

Ao ambiente em redor
Desejei conhecer-te de cor
A curiosidade mantém-se
E resuscita o que há de melhor (em mim)

Continuo a dizer que não é amor
Sento-me então numa cadeira a tentar supôr
O que será, pois razões não consigo encontrar
Com tanta viagem onde será que vou parar?

Pedi concelhos, somei conversas
Resolvi equações (diversas)
Não gosto assim tanto de matemática
Mas ela dá-me safanões (à pressa)

E diz-me que tenho de seguir
O que me vai no coração
Irónico! Seguir sentimentos
Indicados pela razão

Mas tudo se conjuga
Quando pensas que algo está certo
O longe não parece longe
E o perto não é concreto

De perto te vejo
E ainda assim, longe estou
Distancio-me da felicidade
Não me faz ser quem sou

Sou cruel para mim próprio
Amo-me a mim, como ao próximo
Mas para o próximo não sou cruel
Sou apenas um paradoxo

Amo a Filosofia
Penso escrever poesia
Mas as palavras perecem
E as folhas não duram um dia

Nesta vida que dura dois
Mais não temos, e depois?
Será que interessa realmente
Saber quem vós sois?

És? Faço a pergunta
Mas não sei a resposta
Olhei inúmeras vezes para ti
Mas não estás exposta

Como a maioria dos seres humanos
Que são um livro aberto
O teu está fechado, selado
Não tenho chave, estou coberto

Pelas minhas próprias mãos
A pensar
Que uma escolha muda o Universo
E que algo me está a testar

E eu não sei se vou corresponder
A tudo o que tem vindo a acontecer
Pelo menos sei que não me vou aborrecer
Mãos há obra! Agora há muito que fazer

Pelo menos fico contente
Por te ter podido alcançar
Não por acções, ou gestos
Por palavras, nesta arte

Pois quem eu sou no papel
É diferente de quem eu sou
Mas é igual ao mesmo tempo
Pois é nesse mundo onde estou

A viver
Um pé num, um pé noutro
Nos sonhos voo em um
Num salto voo em todos


(17 / V / 2007)

Isto tudo não demonstro
Ao pé de ti
As palavras ditas perdem beleza
E eu não funciono assim

Talvez isto seja mais difícil
Do que a pura frontalidade
Cada qual com a sua abordagem
Eu prefiro a do mundo à margem

Se o que vejo é miragem
Então dêem-me o deserto
Se o que sinto é mentira
Então o que é a verdade ao certo?

Ninguém me explica
E eu não sou assim tão esperto
Sei bem o que é estar liberto
Numa prisão que não dignifica

A maneira de pensar
Não há forma de acalmar
Esta caneta que tanto escreve
E injustiças comete

Porque é que tudo é tão complexo?
Porque faço tudo complexo?
Sei e sinto-me complexo
Porque é que já nada tem nexo?

Pego nas incertezas
E penso-as com a caneta
Traduzo para o papel
Aquilo que sei e não mostro a ninguém


Dedicado a Ana Sofia Fernandes
16 / II / 2007 a 17 / V / 2007

Sem comentários:

Enviar um comentário