sábado, 10 de outubro de 2009

Couraçado de Aço

Caminha (ela) pela rua.
Um novo dia nasce, mais um de entre tantos já passados, mais um dos muitos que virão…
As suas passadas são decididas, só ainda não sabe onde a levam… As mãos tremem nos bolsos, na cabeça mil e um pensamentos a flutuar.
Mas o seu rosto descreve o contrário… Não é a dúvida que espelha, não é a doçura despedaçada pela desilusão ou a tristeza que os outros lhe causam, não é o medo de não encontrar o que procura, mas não sabe ainda o que é… O seu rosto espelha a dureza, a precisão matemática e voraz, os seus olhos são acutilantes como a espada de um samurai hábil, a crítica e a tenacidade moldam as suas feições…
Todos a temem, todos a afastam, ninguém a vê pelo que ela é…
Caminha como se navegasse em alto mar, como se fosse um couraçado a dirigir-se para a frente da batalha…
Mas se ninguém a vê pelo que ela é, então é como se caminhasse invisível… O Sol sobe pelo céu e alumia os objectos… Mas não lhe toca na pele, resvala pela sua superfície, ignora-a por completo… Ou ela assim o sente… Não ser amada ou compreendida prova a sua inexistência!

Dedicado a Mel
10 / X / 2009

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