Primeira Parte
Paradoxo de carne e osso
Blak-Bones o moço
Que te esquarteja
Da barriga ao pescoço
És apenas um esboço
Eu sou pintura final
Tu és estueta
Eu sou a estátua colosso
Cuspo-te como um caroço
Sais disparado
Corto-te ao meio como um soldado
Por um samurai irado é cortado
Microfones, katanas
São a mesma coisa
Armas de destruição
São utensílios de precisão assassina…
Segunda parte
Sou apenas um puto
Um granda maluco
Um bocado astuto
Vitamina C, para evitar escorbuto
Diamante em bruto
Enviado para o espaço
Surgem e são limadas arestas
Calmamente, passo a passo
Produto final por obter
Gema em imperfeição
Perfeição será obtida
Junto da liga de metal Underground
Anel existe
Quilates vão-se adquirindo
Montanhas de conhecimento e sabedoria
Vão-se erigindo
Ucraniano
Disparo um tiro no crânio
Aumento o buraco, tiro de lá urânio
Vendo no mercado
Negro
Sou quem sou sem segredo
Branco e preto, molato
Malabarismo chinês com o prato
Ao contrário do grego que o parte
Por motivos de celebração
DJ faz scratch com ele
Vertente explorada à exaustão
Muitas letras sem refrão
Não aprecio monotonia
Beat criado antes ou depois
Contribuindo com a melodia
Sons encurtados
Pois a mensagem é curta e concisa
Clara sem ovo beje
Força motriz que dá vida
E ritmo
Onde estes se encontram ausentes
Castanholas liricais
Com língua e bater de dentes
O sentido disto tudo
Escapa-se a quem o procura
Nem tudo são mensagens secretas
O óbvio não merece censura
Desactualizado no amor
Métodos de trisavô
Devia ter vivido no século XIX
Século XXI é onde estou
Percebeste?
O Espaço e o Tempo unem-se num só lugar
Num Universo à parte
Onde costumo divagar
Todos à minha volta são defuntos
Mentira, toda a gente está viva
Eu é que não sinto
Pois a minha alma está fria
Por tanto imaginar
O meu corpo eu extingo
Óptimo, porque o Tempo
Não o passa a pente fino
Um dia vou ter que morrer
Um dia vou ser cadáver
Vou ouvir a morte chamar-me
Com um tom de voz agradável
“Anda cá meu menino…
Pensavas que me escapavas?
Dos vinte para cima o tempo passou mais rápido
Achavas que te imortalizavas?”
Achava sim!
Sinceramente, não senti o tempo passar!
O tempo foi um conceito
Que sempre gostei de ignorar
“Agora meu rapaz
Está na hora de te levar!
Mas antes há algo que contigo
Gostaria de falar!...”
Diz estás à vontade
Sabes que não tenho medo
Vivi cada dia como se não fosse o último
Esse foi o meu segredo
“A verdade é que
Estou cansado deste trabalho
E queria perguntar-te
Se não querias experimentá-lo…
Foste Blak-Bones em vida
Quase um sinónimo de morte
Tiveste sorte
E a pergunta é: gostarias de ser o Anjo da Morte?...”
Não digo que sim nem que não
Mas posso trabalhar à experiência
Espero ceifar vidas como tu
Com tamanha eloquência!
Corre veloz pela vida
Aproveita cada segundo
Mas descansa
Ou não te restará nem um minuto!
Semi improviso escrito
A letra de uma futura música que deu o nome a este blogue
(Hip-Hop)
De 10 / III a 04 / VII / 2009
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