Gostava de poder voar pelo Universo… Vê-lo, testemunhá-lo, rimá-lo em verso.
Mas em vez disso, faço o inverso. Escondo-me fechado. No quarto. Calado eu converso…
Sozinho, sentado no meu banquinho, encostado no meu cantinho… Triste e implacavelmente coitadinho.
Pobrezinho! Apetece-me estoirar os miolos! Só para ver o conteúdo e esmigalhá-los no meu colo!
Não preciso de inimigos, já tenho quem me odeie! Fecho os olhos, abro-os de novo e vejo-me ao espelho…
E o sacana reflectido observa-me com desdém! Quem é quem? Quem sou eu? Estará aí alguém?
Questões cliché sem fundamento, idiota sem talento… Ou com algum, mas inócuo neste ambiente!
Perguntam-me: Estás contente?... Já não sei o que responder! Estou a arder, tenho frio… Perdi vontade, perdi brio…
Espera lá, em verdade nunca os chegue a ter! Aborreço-me a mim próprio. Só queria desaparecer. Para perceber, finalmente, que esta vida é um dom.
Tenho de a aproveitar… Se não saio do Bom… Caminho… E caminho, faço um caminho com as mãos. Sou caminhante estupefacto. Ouvinte de cirurgiões!...
Nem sempre oiço opiniões, logo não sou um bom ouvinte. As moedas de prata já gastei. Traí-me a mim, por conseguinte!
Amanhã é outro dia. Pode ser que o sentimento mude. Mas já sem qualquer esperança, deito-me no meu inferno…
Semi improviso escrito
(Hip-Hop)
11 / I / 2010
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