terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Força e Sabedoria

Cerro os punhos e canalizo de imediato a minha força
Exercício mental que faço para me pôr à prova
A força irrompe da minha mente e espalha-se pelo corpo
Preparado estou para o que quer que possa dar para o torto

Improviso escrito é apenas mais uma vez que reflicto
Entre versos transito com a velocidade de um bicho
Feroz, atroz, com ganas e velocidade
Ultrapassando o tempo no seu compasso, deixando para trás a cidade

Verdade não existe, não a vi, nem sequer a palmei
Errados estão os que dizem “A verdade existe, eu sei!”
Mas é mentira, o oposto, contrário e antónimo
Salto para o abismo infinito e, grito com força “Jerónimo!!!”

A queda nunca mais acaba, quero ouvir o baque surdo
Que será a lembrança sonora de que cai no escuro
Perdido por cem, perdido por mil, não jogo pelo seguro
Parto para parte incerta, pela parte que não censuro

Agora o Sol se põe, põe-se na alheta à vontade
Surge a Lua mais velha, irmã do Sol Liberdade
Contacto com um mundo que nunca ninguém viu, só ouviu
Palpo os sabores, degusto as cores, cheiro um calafrio

O frio aparece e põe de lado uma conversa
Que tenho com o Tubarão Dentadas e a sua amiga Vanessa
Homessa! Mas que é isto e de onde é que vem?
O Pluto no diz que disse e o Tio Patinhas nem cheta tem!

Porém e contudo, regresso ao absurdo
Ao verso puro e mudo, pois é escrito por um puto
Borboleta esvoaçante em atmosfera preclitante
Voa para o distante mundo, predominantemente diletante

Num instante encho os bidões necessários para me afogar
Mas surpreendentemente não vão ao fundo, estão a boiar
Procurando o sentido disto, esvazio-os com uma faca
Mas eles permanecem à tona independentemente do que eu faça

Trapaça! Só pode, quem é que me fez isto?
O Diabo ri-se a um canto e goza o pratinho misto
Palhaço, sacana, o que foi que fizeste?
Estragaste-me o truque, vais morrer sua peste!

Ele ri-se ainda mais, ri-se da minha mortalidade
Ironiza e depois responde que eu não passo de carne (NÃO PASSAS DE CARNE!)
Cabrão hás-de me querer, mas vais bater com o nariz na porta
Porque para ti não tenho nada, só esta espada torta que corta!

E estraçalho-te se quiseres com a minha mente apenas…
A imaginação é mais grandiosa que uma caneta, o que é que pensas?
Que por sua vez é ainda mais grandiosa que a espada…
Percebes o raciocínio subjacente nesta quadra?

(MUAH AH AH AH AH AH AH AH AH AH !!!)

Pois logo vi… Tinhas que dar em matreiro
Terceiro, não tenho que te aturar o dia inteiro
Segundo, és defunto e não pertences ao meu mundo
Primeiro, és caloteiro e um dia vais ao fundo!

Ah ah ah ah!!! Por esta não esperavas!
Ficaste amuado otário, pensaste assim: “Já marchavas!”
Mas eu não marcho por ti, corro contigo daqui para fora
E tu voas como um dragão em miniatura, sem demora!

E agora quem se ri sou eu porque não te subestimei
Subestimaste-me tu a mim, mas eu depressa acordei
Já brilhas à distância, ah ah, pareces um foguete
Se voltares para aqui agora, levas um soquete!

OOOOHHHHHH SHHHHIIIIIIITTTTTTT!!!

O Inferno rodeia-me… Ups!… Afinal subestimei-o!
As chamas ardem no meu corpo e queimam-no por inteiro
Caraças!... O que farei para sobreviver neste espaço?
Perdi a jogar ao Braço de Ferro com o Diabo e o seu braço

-/-

Sabedoria acorda! Está na hora de levantar!
Sou eu, o teu puto que te está a chamar!
Anda logo não percas tempo, porque o Tempo é velho, frágil
Se o ganhares ele é benevolente e mostra-se jovem, ágil

E ai está ele a correr todo viçoso e esperto
Tu vens ao lado dele a segui-lo bem de perto
O resultado é claro e oferece-me a vidência
A Sabedoria vem com o Tempo e exercita-se com a Experiência

Chegaste antes do Tempo comparativamente ao que é normal
Esta vida não é de mel, pois faz-nos passar mal
Mas contigo vejo com outros olhos, o ambiente que me rodeia
E percebo que a Sorte a todo o momento me bafeja

Então ando ligeiro por entre as árvores deste caminho
Estou sempre acompanhado de multidões, mas sinto-me sozinho
Sinto que sou ser vivo há incontáveis Eras
Com a consciência de uma certeza ambígua que existe sem esperas

Olha lá, isto não está certo Sabedoria, eu é que devia correr para ti
Voltamos ao início, à meta de onde vim
Tu estavas mais atrás, lá bem para trás
Deus falou-te ao ouvido e disse: “Toma conta deste rapaz!”

E é o que fazes desde então, trabalho árduo e extenuante
Tomas a forma do que quer que seja, para me instruir, estudante
És obstáculo, pessoa, animal, luz do Sol
Nuvem negra que me acompanha ou chuva, também és farol

Lanço o anzol, a lagarta já vai na ponta
Os peixes não abundam, mas como a cana já está pronta
Não faz sentido parar de pescar só porque não sei
Se vou encontrar o que procuro no lago onde sempre pesquei

Tenho cansaço nuclear que, estranhamente, já transborda
Estou farto de esperar, mas eis que Deus me aborda
E me diz que os meus passos são os dele e é preciso que me faça à estrada
Faço as malas, saio de casa e dirijo-me para casa, pela escada

Paradoxo com explicação ou com nenhuma é o mais certo
Mas vá, a escada conduz ao paraíso a céu aberto
Os anjos cantam canções que encantam o meu coração escurecido
E eu subo os degraus com rapidez, levemente enternecido

Sinto-me puro e transparente, asas levantam-me no ar
Fato branco, gravata da mesma cor para não destoar
E a camisa também, mãos nos bolsos, aqui vou eu São Pedro!
Que não comece a chover, pois deste fato não sei o preço!

“Soube do teu negócio com a Morte, as notícias viajam com a luz
Felicito-te pelo bom trabalho, ao teu nome fizeste jus!”
Obrigado São Pedro, vindo de ti é um ramo de rosas
Mas a minha paixão são os versos brancos, poesias e prosas

"Isso faz falta no Céu rapaz! Mas vai entrando pelo portão
Caminha vinte metros, mantém essa direcção
Depois vira à esquerda e na última pequena casa
Vais ter uma surpresa, mas primeiro chega aqui e traça

O teu nome neste livro…" E eu pensei: “Que calhamaço!”
Livro de Registo das Entradas no Céu e olha só que pesado
São Pedro vais ao Ginásio? disse na brincadeira
“Sim temos cá vários e são todos de primeira!”

Mãos nos bolsos contente por o esforço ter valido a pena
Percorro o caminho que falta, bato à porta da última casa pequena
Uma luz ofuscante leva-me a tapar os olhos
“Bem-vindo ao Céu meu filho, és o orgulho de todos nós!!!”

Semi improviso escrito
Exercício mental e representação escrita de como seria a minha queda para o Inferno e/ou ascensão ao Céu
Continuação do raciocínio iniciado com Imperfeito Paradoxo
Letra de uma futura música
(Hip-Hop)
15 / II / 2011

2 comentários:

  1. Gostei imenso! Houve uma parte da qual gostei especialmente, pela mistura e troca de sensações: "Palpo os sabores, degusto as cores, cheiro um calafrio". Muito bom ;)

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  2. Esta poesia/letra que escrevi, foi uma das mais espetaculares que escrevi, porque surgiu de forma tão espontânea na minha cabeça... Tentei escrever literalmente o que me vinha à cabeça, daí algumas partes serem absurdas! Essa parte da troca de sentidos foi propositada, porque gosto de fazer esses trocadilhos!

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