segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Barco Sem Governo

Palavras contadas na solidão dos extremos
Navego em barco sem governo, pois perdi os remos
O leme partiu-se e não vejo terra
A minha mente não tem vontade, comanda-a a guerra

Mente sem vontade é como corpo sem vida
É sentir dor de verdade, sem apresentar qualquer ferida
Perder-me neste mar é o que mais temo
Isso e o risco de naufragar nas rochas do tempo

Tanta solidão incorporada, só e apenas num corpo
Alucinação fabricada na mente, exponencialmente, e não é pouco!
Tanta felicidade que perdi, ignorei, esqueci
Auto-punição por não fazer para mim o que decidi

Às vezes acordo do transe e volto a sorrir, genuinamente
Mas logo me afundo em trevas, negligencio o que o meu coração sente
Triste é depender dos outros para poder experienciar a luz do dia
Bom era fazê-lo por mim depois partilhá-lo com alguém por telepatia

Quem me dera acordar de vez, voltar a sentir o vento no meu corpo
Largar a escuridão que se entranhou no meu ser, ao ponto de me sentir morto
Quero viver livre de âncoras mentais metafóricas
E de más influências incapacitantes, reais ou alegóricas

Quero abraçar a luz, é a ela que pertenço e presto homenagem
Soldado sem armas permaneço, mantém-se intacta essa imagem
Não posso ignorar nem afastar-me do meu destino e porte
Tal realizarei, se a tanto me ajudar a teimosia e a sorte


De 19 / VIII a 20 / IX / 2010

2 comentários:

  1. Gostei :) Apesar de ser um pouco pessimista, acho que o final demonstra que ainda há uma esperança positiva, o que é maravilhoso!

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  2. Quando desabafo para o papel, sou eminentemente pessimista e sombrio (O que é mau aprisiono nas folhas)... Mas, como bem reparaste, a quadra final demonstra que existe uma cendelha, ou até mesmo uma tocha de positividade em mim, e é essa que procuro expressar com atitudes e gestos...

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