sábado, 30 de outubro de 2004

Amor a Ninguém

Se pudesse amar-te-ia
Sem sequer hesitar
Mas o problema está no facto
De ainda te ter de encontrar

De que serve adivinhar
Senão percebemos o que vemos
Serão palavras ou imagens?!
Ou lugares de outros tempos

Vagueio pelo sonho
De uma vontade imortal
Amo o que não vejo
Compreendo o que é fatal

Pressinto que o que cheiro
Pode ser bem diferente
Do que estou acostumado
Daquilo que vivo no Presente

Passado, Futuro
Sítios onde já vivi
Estou ao mesmo tempo em todo o lado
E no entanto estou aqui

É curioso o que se pode fazer com as palavras
Podemos trocá-las, copiá-las, mudá-las e beijá-las

Numa dança indiscreta
Numa musica sem canção
Num amor não compreendido
No que é uma ilusão

No que se vive a cada minuto
Na adrenalina momentânea
Cada limite que se transpõe
Compara-se ao escalar de uma montanha

É complicado viver
Mas a vida é uma dádiva
É uma excelente oportunidade
Para podermos aprender

Que o que importa é amar
Nada mais, nada menos do que nos entregarmos
A uma causa, a algo primordial
Que nos permita compreender e começar a ajudar

Toda e qualquer pessoa que de ajuda necessitar
Para podermos crescer, no sentido espiritual
E amarmos aqueles que nos querem mal
Mesmo sabendo que eles nos continuaram a odiar

E assim chegamos ao patamar desejado
Temos o espírito limpo e o olhar concentrado

E finalmente percebo
Que o importante é amar
Mesmo não te conhecendo
Vou continuar a procurar

De 29 a 30 / X / 2004

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